abrigos

A Casa Azul compreende a arquitetura como a dimensão dos espaços materiais, habitados pelas pessoas, e a cultura como a dimensão dos espaços imateriais, inventados pelas pessoas.

Por meio da compreensão da indissociabilidade entre essas duas dimensões se estruturam as ações da Casa Azul. Na arquitetura, terreno do aedificare, busca-se a criação de ritos de conexão entre o projeto e as pessoas que irão habitar os espaços edificados. Na cultura, terreno do colere, busca-se a identificação dos ritos de conexão entre as pessoas e o território, e a valorização das formas de expressão desses ritos.

O exercício de compreensão da dimensão humana e seus ritos alcança nos projetos de abrigos sua plena expressão material e simbólica. Um abrigo acomoda, protege e acolhe o usuário: o fazer, o conviver, o estudar e todas as atividades humanas demandam abrigos. Se construir, para Heidegger, significa habitar e ser plenamente sobre o território, é preciso conectar-se completamente com as verdades desse território.

Consideradas as características do sítio, a estruturação das funções do programa e as necessidades do usuário, cada projeto parte de uma análise objetiva e sensível do contexto, resultado da aplicação da metodologia de leitura territorial. Esse abandono de dogmas e conceitos preestabelecidos em privilégio de questões e respostas específicas a cada projeto permite liberdade plena de criação e a adoção de soluções totalmente envolvidas com o universo de abrangência de cada projeto. Uma residência, um haras, uma biblioteca ou uma praça constituem, de acordo com essa perspectiva, universos, contextos e possibilidades infinitas de exercício dessa liberdade criativa.

Museu do Futebol

museu do futebol2

foto: Nelson Kon

Por meio da inserção de novas tecnologias necessárias aos usos de um programa museológico e expográfico interativo em edifício existente e protegido como patrimônio histórico, foi possível estabelecer novos paradigmas de intervenção em bens tombados. A perfeita interação entre o edifício do estádio do Pacaembu e as novas estruturas de exposição, incluindo o circuito contínuo de visitação de público, foi resultado de uma compreensão integral das condicionantes de projeto, por meio de uma leitura territorial eficiente e completa.

 

Praça da Matriz

Praça da Matriz

foto: Nelson Kon

No projeto de restauro e requalificação da Praça da Matriz de Paraty foi possível adotar medidas de adequação do espaço ao uso contemporâneo, de acordo com a preservação do patrimônio histórico, cultural e artístico de Paraty, além de proporcionar o resgate de elementos do projeto original da década de 1920.

Um plano de recuperação paisagística da praça valorizou o conjunto histórico ao mesmo tempo em que garantiu acessibilidade irrestrita aos usuários. Integrado a uma proposta abrangente de qualificação dos espaços públicos de Paraty, o projeto permitiu o enfoque na vocação social e identitária desse espaço público para a cidade.

 

Casa Gonçalves

casa goncalves

foto: Nelson Kon

O sítio de edificação desta residência está envolto na paisagem natural de mar de morros do interior de Minas Gerais. A presença de duas nascentes exigia cuidados com os aspectos ambientais e delicadeza no trato da paisagem. Sua posição tira grande proveito da vista do entorno, sendo seu pavimento único uma extensão do terreno plano do lote, embora a casa flutue sobre a paisagem, estando diretamente implantada sobre o declive acentuado do terreno, conectada por uma pequena ponte de madeira.

A estrutura de madeira, simétrica e racional, é processada de forma simples e tecnológica no projeto estrutural do engenheiro Hélio Olga, cuja parceria continuada com o arquiteto Mauro Munhoz tem proporcionado a evolução constante do ofício de ambos. A compreensão dos limites da técnica e dos materiais desenha as soluções e detalhes de projeto, produzindo um conjunto potente e ao mesmo tempo singelo, com tecnologias tradicionais e vernaculares em constante diálogo gerador. A compreensão do locus, da técnica e do programa permite um desenho justo e harmônico, uma arquitetura acolhedora e sem barreiras: franca e aberta ao horizonte.